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NOTA DE REPÚDIO À COORDENAÇÃO DE LETRAS _ BRUMADO

NOTA DE REPÚDIO À COORDENAÇÃO DE LETRAS _ BRUMADO

NOTA DE REPÚDIO DO PROFESSOR ANDRÉ LUIZ SIMÕES PEDREIRA À COORDENAÇÃO DO COLEGIADO DO CURSO DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB) – CAMPUS XX – BRUMADO/BA.

 

O ódio nasce do ressentimento. Vivemos a era dos ressentidos. Muitos buscam a fama, o reconhecimento e algo que os resgate da sua mediocridade. Poucos conseguem. Resta o furor iconoclasta, nascido da inveja, cozido ao caldo da dor e da incapacidade do protagonismo. Os seres do fundo da caverna jamais podem perdoar o crime do talento.     Leandro Carnal

 

Desde o meu ingresso na UNEB, no dia 04 setembro de 2012, exerço com responsabilidade todas as prerrogativas do cargo que assumi. Nunca faltei ao trabalho sem justificativa plausível e, nas ausências necessárias, nunca me furtei à obrigação de repor as aulas referentes aos componentes curriculares que ministrei. Os próprios alunos egressos e os que estudam na UNEB atualmente, desde a minha posse, são testemunhas vivas do meu alto senso de responsabilidade e respeito à comunidade discente.

No semestre de 2017.2, a coordenação do Colegiado do Curso de Letras, em sua insuficiência estética, intelectual, moral e gerencial, nunca pior representada nesses 15 anos do Curso de Letras, por razões estritamente pessoais, tentou usar de seu poder para obstruir o meu trabalho no desenvolvimento do componente curricular “Seminário Interdisciplinar de Pesquisa VII – (30h)”, em decorrência de decisão coletiva entre professor e alunos na mudança da metodologia a ser adotada (aula expositiva/orientação individual), sem quaisquer prejuízos à carga horária. Vale ressaltar que, no início do semestre, houve tentativa, sem êxito, de me retirar esse componente curricular, uma vez que ministrei todas suas edições nesta turma especificamente, o que leva a crer que os alunos conhecem profundamente o professor que têm.

Esta decisão na mudança da metodologia do componente curricular VII não iria abrir precedentes para que professores fizessem o mesmo, conforme argumento apresentado em reunião, porque se tratou de um componente curricular específico, de 30h, numa turma que me teve como professor durante 06 semestres, numa sequência lógica de trabalho. Além disso, não sou um professor que possui um histórico de irresponsabilidade na universidade para ser referência negativa junto aos demais colegas, visto que não existe no Campus XX nenhum professor ingênuo que vá repetir práticas que não se coadunam com as responsabilidades do seu cargo. Esse risível argumento do precedente só é mais uma prova inconteste da insatisfação pessoal de certos professores com a realização bem sucedida de um trabalho.

Esse incômodo com o meu trabalho se deve a uma interpretação doentia, sem base empírica, manifestada em reunião no final do semestre de 2017.1, por conta da eficácia de um trabalho desenvolvido, embora não perfeito, que resultou na defesa de TCC de quase todos os alunos, à exceção de 03, que não defenderam por motivos de força maior. A hipótese, ou melhor, a mania, em sentido clínico, se deu por um entendimento de que, na condição de professor de SIP, eu estaria doutrinando alunos para certos autores e temas. Porém, a própria comunidade discente pode provar o caráter isento com que conduzo as disciplinas de SIP. O que faço, tão somente, é ensinar a arte da pesquisa por meio de um estudo rigoroso da tradição epistemológica, de forma didática e compreensível, pois erudição e hermetismo só costumo utilizar quando estou entre os meus pares. Acredito que a sofisticação da linguagem pode se dar por meio de um vocabulário simples. 

O que os alunos decidem investigar, em seus trabalhos de TCCs, ocorre no contexto dos componentes curriculares ministrados pelos professores que possuem formação em Letras. Se eles escolhem certos autores e professores, em detrimento de outros, isso não tem a minha participação. Agora, se alguns professores e temas seduzem mais que outros, isso está atrelado, talvez, a algo inerente no discurso dos alunos, nos corredores da universidade, que rechaçam certos professores que não estudam, que dão aulas insignificantes e sem rigor epistemológico, que são ausentes, que não repõem aulas, que falam longamente sem que nada tenha condições de ser compreendido, que jogam textos difíceis sem qualquer tipo de introdução e, no ápice desse discurso, chegam a dizer que tiveram aulas melhores no Ensino Médio.  Então, não posso ser acusado e assumir a responsabilidade sobre o amadorismo de professores que não cumprem com esmero o seu ofício. E, mesmo reconhecendo a verdade desse discurso, reconheço que não me compete dizer a nenhum professor o que ele deve fazer ou não em sala de aula, sobretudo, em se tratando de uma universidade pública, onde deve reinar soberano o princípio da liberdade de cátedra.

Enquanto professor, fui acusado de não dar aula, mesmo cumprindo a carga horária do componente curricular. Agora, algumas perguntas se fazem pertinentes: Por que, durante ou no final do semestre, os alunos de SIP VII não me denunciaram? Por que fizeram festas para comemorar minha despedida para cursar doutorado? Por que me deram tantos presentes? Por que, ao final do semestre, na medida em que não tiveram aula, os alunos estavam, em sua maioria, com os projetos concluídos (objeto da avaliação do componente)? Seriam alunos imaturos e incapazes de pensar por si próprios? Seriam alunos que se pode subestimar? Por que a coordenação do Colegiado do Curso de Letras, na última reunião (29/11/2017), quis interferir no meu trabalho sem ouvir os alunos da turma, quando assim recomendei, deixando que eles próprios decidissem sobre a condução do componente curricular? Por que, em nenhum momento, a coordenação do Colegiado do Curso de Letras e alguns integrantes da comissão de TCC, não me procuraram para saber do andamento e eficiência do trabalho? Por que o ataque foi mais importante que o reconhecimento do trabalho de um colega professor? A coordenação do Colegiado do Curso de Letras teria a mesma postura se se tratasse de um professor ideologicamente afiliado? Diante do término do semestre, a coordenação do Colegiado do Curso de Letras irá enviar as faltas dos professores afiliados que não cumpriram a reposição das aulas categoricamente? Assim pedem os alunos que eu pergunte.

Há uma prática no serviço público em geral, muito comum na UNEB – Campus XX, que é de deixar a não empatia por uma pessoa, mesmo diante de sua competência profissional, se constituir em motivo para sua perseguição por meio dos dispositivos do cargo, o que constitui algo ilícito, pois não se pode usar a máquina pública para perseguir fins privados. Se não tenho empatia por uma pessoa, há duas formas de resolver o problema: pelo divã, onde indico a abordagem lacaniana, ou na praça, por meio do uso da força física.

Ingressei na UNEB como Professor Assistente há quase 06 anos, finalizei o mestrado em 2010, servidor público desde 2007, tendo prestado serviços à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, à Secretaria Municipal de Educação de Salvador e à Academia de Polícia Militar da Bahia no Curso de Formação de Oficiais Policiais Militares (como Capitão). Nunca deixei de cumprir as responsabilidades que assumi, nem me dediquei a alimentar querelas no ambiente de trabalho. Lembro a esta coordenação do Colegiado do Curso de Letras que, ainda ontem, era da classe de Professor Auxiliar, embora com anos de casa e de idade, que sou um professor absolutamente comprometido com o meu trabalho no cumprimento de todas as suas atribuições. E a própria comunidade discente atesta isso pela forma como minhas aulas são planejadas e conduzidas. Além disso, recebo igualmente o respeito que dedico a todos os funcionários da universidade, não os enxergando como adversários de professores, mas como pessoas que, independente do vínculo de contração, são servidores públicos e peças importantes para o funcionamento da universidade.

Como Professor Assistente (40h), não chego à universidade na hora das aulas. Nos dois dias em que estou no Departamento, chego às 08h30min para estudar, planejar, atender alunos e cumprir minha carga horária efetivamente, sobretudo para dar suporte aos alunos com relação a trabalhos de outros componentes curriculares, em que alguns professores lançam as atividades sem qualquer tipo de orientação e acompanhamento.

Assim sendo, pergunto: por que a coordenação do Colegiado do Curso de Letras, personificação da fealdade e do mal, não me processou imediatamente após ter constatado que eu vinha praticando atos contrários ao meu ofício na universidade?  Suponho que isso não ocorreu porque ela estaria sempre solitária nessa empreitada pífia, sem qualquer apoio da Direção de Departamento e dos alunos do componente curricular em questão, a saber, os alunos de SIP VII. Além disso, nunca teve provas verdadeiras que pudessem, até as últimas instâncias, desqualificar um trabalho bem sucedido, como realizo na universidade com a aprovação dos alunos.   

Quero ressaltar, sobremaneira, para que esta coordenação do Colegiado do Curso de Letras não esqueça, apesar de me admirar tacitamente, que sou um professor respeitado pelo trabalho que desenvolvo na universidade junto aos alunos. Raramente utilizo filmes e slides em minhas aulas, nem por isso elas deixam de ser participativas e cumprir seus níveis de aprendizagem. Não sou o professor a quem a coordenação do Colegiado do Curso de Letras deve perseguir e orientar, pois não compartilho do expediente de proferir monólogos estéreis durante as “aulas”, produzindo insatisfações crônicas nos alunos que nada compreendem dos conteúdos de certos componentes curriculares. Monólogos que, quase sempre, buscam camuflar a mediocridade e o raquitismo intelectual. Apesar da crise das licenciaturas no Brasil, em função da falta de valorização dos professores, esses tipos de professores contribuem, ainda que em menor escala, para a evasão de muitos alunos na universidade.

Faço lembrar, ainda, para fins de fixação na memória desta coordenação do Colegiado do Curso de Letras, que não sou o professor que vai ministrar aulas aos sábados na universidade, chegando às 9h para uma aula que deveria começar as 07h e produzindo irritação nos alunos, que se deslocam para estudar, pondo-se eles, ao final das aulas, a se interrogar se estão na escola ou numa universidade.

Quero tornar pública minha surpresa ao ter meu nome citado na justificativa para contratação de um Professor Visitante. Não fui informado pela coordenação do Colegiado do Curso de Letras sobre o fato de meu nome vigorar num processo fraudulento como recentemente fora denunciado. A minha licença de 03 anos e meio para cursar doutorado foi concedida pela área e a projeção apresentada indicava dois professores da casa para minha substituição. Por este motivo, meu afastamento para o doutorado não poderia aparecer em nenhum outro documento de justificativa para contratação de Professor, seja qual fosse a natureza da contratação. Aqui, cabe outra pergunta: se a denúncia contrária à contratação de Professor Visitante para o Campus XX não estava pautada na legislação, por que a coordenação do Colegiado do Curso de Letras não levou, sob sua responsabilidade, o processo adiante? O que se conclui desse fato é a seguinte afirmação, diante de uma coordenação de colegiado de compadrio: “para os amigos ofereço tudo, até possíveis desvios da lei. Para os inimigos, a aplicação cega das resoluções.”

Por fim, nos últimos parágrafos que se seguem, quero deixar claro que o curso de letras da Universidade do Estado da Bahia, Campus XX, Brumado/BA, pertence à sociedade e não é feudo de certos grupos de professores que se acham estrelas da academia, mas que sequer são conhecidos para além dos muros do Campus XX. Professores que querem imprimir no curso de Letras suas pretensões pessoais, sem submissão à coletividade, deveriam abrir uma instituição privada ou uma escola, lugar que acho mais adequado à atuação da coordenação do Colegiado do Curso de Letras. Afirmo, veementemente, que ao regressar doutor, voltarei a ministrar as disciplinas da Área de Ciências Sociais e SIP no curso de Letras, pois sou professor concursado para ministrar os componentes curriculares de Filosofia e de Epistemologia, coisas das quais entendo, dado a minha formação filosófica e teológica nos mosteiros católicos, onde comecei minha carreira universitária.

Apesar de dispor de suporte jurídico gratuito e de altíssima qualidade, decidi não denunciar esta coordenação do Colegiado do Curso de Letras por assédio, em razão de diversos motivos:

  1. Tratou-se de uma questão pessoal e solitária de uma coordenação que sofre de baixa estima, quando se depara com colegas esforçados e que recebem reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem;
  2. Sendo uma questão pessoal, porque não encontrou apoio do DCHT nem dos alunos do componente curricular SIP VII, jamais iria expor o nome da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e da Direção do Campus XX. Devoto amor à universidade e sinto imenso prazer em nela trabalhar como professor;
  3. Possuo em meu poder, por orientação jurídica, todos os Projetos de TCC elaborados sob minha orientação e documento assinado por todos os alunos que comprovam a cumprimento da carga horária de 30h do componente curricular; 
  4. A coordenação do Colegiado do Curso de Letras não teria idoneidade patrimonial e financeira de me indenizar por danos morais, num processo de assédio, pelo que se sabe de relatos de funcionários antigos da universidade;
  5. Por se tratar de um estratagema fracassado e infeliz.

 

Diante desse fato, não poderia ignorar a necessidade de sua comunicação pública, pois temo que outros professores possam sofrer esse tipo de retaliação. Jamais imaginei, há quase uma década no serviço público, uma comissão, por razões de não empatia, atuar na sala de aula interrogando os alunos com relação ao meu trabalho, em violento desrespeito ao princípio secular de liberdade de cátedra. Mas, para minha alegria, os próprios alunos lembraram a esta comissão quais seriam os professores que mereciam receber visitas em sala e ser investigados sobre a forma como realizam seu ofício.   

No final do componente curricular de SIP VII, enviei por e-mail, a um dos integrantes da comissão de TCC, a avaliação dos trabalhos, bem como os encaminhamentos dos alunos aos respectivos orientadores, que já têm ciência da parceria em 2018/1. Espero que a comunidade acadêmica possa acompanhar os desdobramentos da orientação de TCC, assegurando que os alunos do 8º semestre sejam protegidos de qualquer tipo de perseguição por parte da coordenação do Colegiado do Curso de Letras.   

Torço para que a coordenação do Colegiado do Curso de Letras se avalie internamente e procure rever sua conduta no tratamento com os professores, sob pena de se destruir por si própria. E parafraseando Caetano Veloso, meu quase vizinho no recôncavo baiano, em sua composição Reconvexo, digo: “Meu som te cega, careta, quem é você?”


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