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WALDIR PIRES HONORIS CAUSA HONESTIDADE

WALDIR PIRES HONORIS CAUSA HONESTIDADE

Gildeci de Oliveira Leite, professor doutor, UNEB Seabra

 

Quando comecei a constituir a proposta para que Waldir Pires fosse Doutor Honoris Causa pela UNEB (Universidade do Estado da Bahia) gostava de lembrar do medo, que Doutor Waldir causava durante os anos em que chefiava a Controladoria Geral da União (CGU). O medo era dos infiéis aos juramentos de honestidade e de compromisso com as causas populares. Ao invés de sorteios das loterias da Caixa Econômica Federal (CEF), torcíamos por sorteios desta ou daquela prefeitura municipal, a terem a aplicação dos recursos, advindos da união, fiscalizados. Gritávamos “dá-lhe Waldir”!

Waldir Pires era o nosso alento, nossa possibilidade de satisfação e risos, antecipados, a imaginarmos os maquiadores profissionais, gênios de prefeituras em todo o país, em calafrios com a presença da equipe da CGU ou como alguns de nós preferíamos dizer, com a chegada da “equipe de Waldir”. Certa vez, ouvi falar, que em uma praça bastante frequentada de uma determinada cidade, à mesa de um de seus bares mais famosos, ficaram sabendo do tão bendito sorteio. Foi um corre-corre nas mesas. Os magos, também as fadas, ocupavam a praça principal e receberam telefonas com os avisos, preocupados com a “equipe de Waldir”. Isso ouvi dizer.

Os sorteios poderiam cortar na própria carne. Aliados políticos e opositores estavam sob os mesmos olhares nos sorteios da CGU. Alguns diziam, que o Ministro-Chefe da CGU era um suicida político e não teria sucesso em suas empreitadas. Waldir Pires continuou sua jornada e manteve-se ileso, impoluto em sua caminhada. Nada de lei somente aos adversários ou aos inimigos, nada de favores aos amigos como preconizava o pensador e exercem, ainda hoje, alguns de nossos dirigentes.

Para Waldir, que também é Francisco, vale a reinterpretação do provérbio “pau, que dá em Chico, dá em Francisco”. Sendo Chico ou não filho de Francisco, a justiça deve ser para todos e os sorteios da CGU não sofriam as desconfianças experimentadas por um outro político baiano, ganhador, diversas vezes, em loterias da CEF. O sortudo disse que Deus o ajudou.

Lembro da honradez e do altruísmo de Waldir Pires, quando Ministro da Defesa, dispensou a guarda oficial de militares. Na oportunidade, julgou inadequado o acompanhamento, pois iria ao compromisso de exercício de cidadania, mas não um compromisso do ministério. Após a insistência dos militares para acompanhá-lo, alegando cumprir ordens superiores, só restou ao homem, outrora exilado, lembrar que o chefe dos militares, ali de prontidão, era subordinado dele, portanto as ordens eram que fossem dispensados e se dirigissem aos seus lares.

Waldir Pires certamente deixará saudades, não somente em seus familiares, mas a minha maior esperança é que ele nos inspire para uma verdadeira conduta de honestidade e honradez. Precisamos de Waldir Pires na política partidária, nas administrações universitárias e escolares, nas salas de aulas, nas fábricas, no empresariado, no cotidiano, no campo e na cidade. Waldir Pires parte e inscreve em nossa memória coletiva a possibilidade de aliar política e honestidade. E quando falo política, penso na forma mais ampla possível de sua definição, começando por extirpar nossas hipocrisias, estabelecendo nossa prática com critério da verdade, assim é Waldir Pires.


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