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UM TRESLOUCADO NO COMANDO DA LAVA JATO

UM TRESLOUCADO NO COMANDO DA LAVA JATO

Dante Lucchesi. Linguista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

 

Após receber uma luz de esperança, com a decisão de ontem do STF, que sinalizou o movimento da Suprema Corte, no sentido de recuperar o estado democrático de direito no país, vilipendiado, desde 2014, pela ação criminosa da chamada operação Lava Jato, o país recebe estarrecido a confissão absurda de que o ex-procurador geral da República entrou armado no STF, com a intenção de matar um de seus ministros e se suicidar. Depois de ser brindado com a indigência mental e moral de Sérgio Moro, o país toma conhecimento do desequilíbrio e despreparo daquele que comandava a PGR e, consequentemente, a Lava Jato. Fica cada vez mais claro por que a grande obra da Lava Jato foi tornar o Brasil o país de Bolsonaro e do bolsonarismo. Ungidos com um poder absoluto por uma mídia canalha e oportunista, indivíduos siderados, sem qualquer respeito pela Constituição e pelas instituições que sustentam o estado democrático de direito, não poderiam fazer outra coisa, senão levar o país ao desastre, à anomia e à situação calamitosa e lastimável em que se encontra.

Quanto ao episódio em si, há fatos gravíssimos a serem destacados. Alguém ser acometido de um surto momentâneo de insensatez já é grave, sobretudo, em se tratando de uma alta autoridade do país. Mas o pior é o ex-procurador fazer essa confissão pública, anos depois, por uma decisão consciente e pensada. Revela uma total irresponsabilidade e um total descompromisso em preservar duas das mais importantes instituições da República, a PGR e o STF, em um momento em que o Judiciário brasileiro está sob fogo cerrado de segmentos fascistas e reacionários. Além disso, tem como alvo de sua fúria um dos ministros do STF que tem se destacado no combate à ação criminosa da Lava Jato. E o pior de tudo é que tal bravata estapafúrdia e extemporânea tem motivação fútil e mercantil: vender um livro autobiográfico, escrito por ghost writers, que o ex-procurador está lançando. Com efeito, ele não poderia encontrar melhor maneira para jogar sua biografia no lixo da história e no desprezo público.

Mesmo estando aposentado, esse indivíduo deveria sofrer pesadas sanções, por esse ato desatinado. No mínimo, a cassação de sua aposentadoria, pois confessou ter cometidos graves ilegalidades no exercício do cargo público.

De qualquer forma, uma conclusão se impõe. Se uma figura como Janot chega ao topo da PGR, o sistema funcional dessa instituição tem de ser profundamente revisto.

Rio de Janeiro, 27 de setembro de 2019. 


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